Basicamente as únicas pessoas que estão felizes no momento são os que acertaram nas suas previsões negativas sobre o mundo. E isso é bem triste.

Antigamente a Abril Cultural tinha duas séries de livros: os pensadores, e os economistas. Quando, por falta de dinheiro, ficaram só com os pensadores e enfiaram uns economistas no meio deles, tudo desandou. O mesmo aconteceu com o mundo. Filosofia econômica é psicologia experimental disfarçada.

Estamos chegando num ponto de cansaço com esse desgoverno da maldade que se o executivo federal instituir oficialmente a ditadura pela qual sexualmente anseia pelo menos vamos poder pedir asilo político com mais facilidade.

Se 007 fosse do Brasil, seria a Marina. Só ela consegue reproduzir aquela sensação de coolness, depressão elegante e sexualidade relaxada e perigosa. Ideia: Marina, agente secreta brasileira é afastada por governo homofóbico e treina substituta para se vingar.

O conceito de vida além da morte pode ser lógico, mas é deselegante. O universo poderia ser tão minimalista que não passaríamos de projeções de possibilidades de um universo eternamente em promessa. Essa meritocracia moralista e espiritual não faz a minha cabeça.

Não desejo que haja um inferno, mas, sim, uma sala de espera demorada antes do oblivium onde tudo seja explicado às almas sebosas que nos assolam no mundo material. Ao pessoal gente boa, oblivium sem escalas. Esperar prazer no post mortem é pra quem ainda não desapegou.

Cara, a decepção que senti com Lovecraft Contry deve ser a mesma que o Mark Rein•Hagen sentiu quando percebeu que tava todo mundo combando pra virar super heróis no Vampire e fingindo participar de um jogo de horror pessoal.

Jogos, incluindo RPG, trazem ideologias no cenário e na mecânica, mas o que permanece é como ele é jogado no fim das contas. A editoria do leitor, jogador e do público transformam a mecânica e a ideologia tornando o jogo um retrato do seu tempo.

Em Vampire, o estímulo inicial era que os personagens fossem Anarch (lá na 1a. edição) mas aos poucos os jogadores mostraram que seu desejo era fazer parte da elite decadente da Camarilla ou, pior, do culto escatológico do Sabbat. Ninguém buscou a Golconda.

Em Shadowrun há uma crítica às Corporações que tomam o poder, mas de forma ambígua os personagens se sustentam realizando serviços para elas, representadas pelo Mr. Johnson. Um Paranoia levado um pouco mais à sério, onde você é agente do sistema e ao mesmo tempo um traidor.